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<channel><title><![CDATA[SA&Uacute;DE + P&Uacute;BLICA - Not&iacute;cias]]></title><link><![CDATA[https://www.saudemaispublica.com/noticias]]></link><description><![CDATA[Not&iacute;cias]]></description><pubDate>Sun, 12 Apr 2026 23:22:59 +0100</pubDate><generator>Weebly</generator><item><title><![CDATA[CANDIDOZYMA AURIS]]></title><link><![CDATA[https://www.saudemaispublica.com/noticias/candidozyma-auris]]></link><comments><![CDATA[https://www.saudemaispublica.com/noticias/candidozyma-auris#comments]]></comments><pubDate>Tue, 14 Oct 2025 23:00:00 GMT</pubDate><category><![CDATA[Doen&ccedil;as Transmiss&iacute;veis]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.saudemaispublica.com/noticias/candidozyma-auris</guid><description><![CDATA[ecdc emite alertA SOBRE A R&Aacute;PIDA DISSEMINA&Ccedil;&Atilde;O DE CANDIDOZYMA AURIS  Durante grande parte da hist&oacute;ria recente da medicina, as infe&ccedil;&otilde;es f&uacute;ngicas foram consideradas uma causa relativamente rara de doen&ccedil;a clinicamente relevante, face ao protagonismo das infe&ccedil;&otilde;es bacterianas e virais. A partir da segunda metade do s&eacute;culo XX, e de forma mais marcada com a epidemia de VIH/SIDA, as infe&ccedil;&otilde;es f&uacute;ngicas invasiv [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<h2 class="wsite-content-title">ecdc emite alertA SOBRE A R&Aacute;PIDA DISSEMINA&Ccedil;&Atilde;O DE CANDIDOZYMA AURIS</h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Durante grande parte da hist&oacute;ria recente da medicina, as infe&ccedil;&otilde;es f&uacute;ngicas foram consideradas uma causa relativamente rara de doen&ccedil;a clinicamente relevante, face ao protagonismo das infe&ccedil;&otilde;es bacterianas e virais. A partir da segunda metade do s&eacute;culo XX, e de forma mais marcada com a epidemia de VIH/SIDA, as infe&ccedil;&otilde;es f&uacute;ngicas invasivas oportunistas em doentes imunocomprometidos ganharam visibilidade e motivaram maior vigil&acirc;ncia e investiga&ccedil;&atilde;o epidemiol&oacute;gica.(1)</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Essa aten&ccedil;&atilde;o transbordou tamb&eacute;m para a cultura popular, basta lembrar a s&eacute;rie &ldquo;The Last of Us&rdquo;, baseada no jogo hom&oacute;nimo. Mas a amea&ccedil;a &eacute; bem real: em setembro de 2025, o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC) divulgou um alerta para a r&aacute;pida dissemina&ccedil;&atilde;o, em hospitais europeus, de </span><span style="color:#000000; font-weight:400">Candidozyma auris</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> (anteriormente </span><span style="color:#000000; font-weight:400">Candida auris</span><span style="color:#000000; font-weight:400">), frequentemente resistente a v&aacute;rios antif&uacute;ngicos, associada a infe&ccedil;&otilde;es graves em doentes cr&iacute;ticos.(2,3)<br /><br />Mas para prevenir e responder a surtos, h&aacute; uma pergunta que se imp&otilde;e: afinal, o que &eacute; </span><span style="color:#000000; font-weight:400">o Candidozyma auris</span><span style="color:#000000; font-weight:400">?</span><br /></div>  <h2 class="wsite-content-title"><font color="#24678d"><span style="font-weight:400">O que &eacute; o C.</span><span style="font-weight:400">auris?</span></font></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">O nome desta levedura vem do latim </span><span style="color:#000000; font-weight:400">auris</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> (&ldquo;orelha&rdquo;), porque foi inicialmente isolada numa&nbsp; otite m&eacute;dia de um doente no Jap&atilde;o, em 2009.(4,5) Desde ent&atilde;o, Candidozyma auris tem sido ligada a v&aacute;rias formas de doen&ccedil;a, incluindo candidemia, infe&ccedil;&otilde;es do trato urogenital e respirat&oacute;rio, infe&ccedil;&otilde;es do sistema nervoso central. (4)<br /><br />Candidozyma auris integra o grupo &ldquo;cr&iacute;tico&rdquo; da Lista de Patog&eacute;nios F&uacute;ngicos Priorit&aacute;rios da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), criada para orientar a a&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de p&uacute;blica, a investiga&ccedil;&atilde;o e o desenvolvimento.&nbsp; A esp&eacute;cie destaca-se pela resist&ecirc;ncia frequente ao fluconazol, sendo as equinocandinas o tratamento de primeira linha nas infe&ccedil;&otilde;es invasivas, embora o risco de falha terap&ecirc;utica e reca&iacute;da seja maior do que noutras esp&eacute;cies de </span><span style="color:#000000; font-weight:400">Candida</span><span style="color:#000000; font-weight:400">. A mortalidade reportada na candidemia por C. auris situa-se, em s&iacute;ntese de v&aacute;rios estudos, entre 29% e 62% (valores condicionados pela gravidade e comorbilidades dos doentes afetados).&nbsp; (4,6)</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Em termos de fatores de virul&ecirc;ncia, C. auris mostra resili&ecirc;ncia intr&iacute;nseca, permitindo a coloniza&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida da pele de doentes e persist&ecirc;ncia em superf&iacute;cies e equipamentos, o que por sua vez contribui para o surgimento de surtos prolongados em contexto hospitalar. Tal como a Candida albicans, a C. auris produz v&aacute;rios fatores de virul&ecirc;ncia reconhecidos, como as proteases aspart&iacute;licas secretadas (Saps) e as l&iacute;pases, que facilitam a invas&atilde;o e degrada&ccedil;&atilde;o tecidual. De forma mais geral, caracter&iacute;sticas como a ader&ecirc;ncia, a forma&ccedil;&atilde;o de biofilme, a atividade hemol&iacute;tica e a produ&ccedil;&atilde;o de enzimas (fosfolipases e proteinases) t&ecirc;m sido implicadas na patogenicidade das esp&eacute;cies de Candida, favorecendo infe&ccedil;&otilde;es f&uacute;ngicas invasivas. Em particular, a forma&ccedil;&atilde;o de biofilme constitui uma estrat&eacute;gia de sobreviv&ecirc;ncia que permite &agrave;s c&eacute;lulas resistir a concentra&ccedil;&otilde;es de antif&uacute;ngicos muito superiores &agrave;s necess&aacute;rias para eliminar c&eacute;lulas livres.(4)</span><br /><br /></div>  <h2 class="wsite-content-title"><span style="color:#0f4761; font-weight:400">Linha temporal e situa&ccedil;&atilde;o atual</span><br></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Os primeiros relatos de C. auris surgiram em 2009, no Jap&atilde;o. No entanto, an&aacute;lises retrospetivas acabariam por detet&aacute;-la, em casos isolados, em amostras de anos anteriores nalguns pa&iacute;ses (2,3,6). Entre 2013 e 2023, os pa&iacute;ses da UE/EEE reportaram 4 012 casos de coloniza&ccedil;&atilde;o ou infe&ccedil;&atilde;o por C. auris; s&oacute; em 2023 foram 1 346 casos em 18 pa&iacute;ses (Figura 1). Os cinco pa&iacute;ses com mais casos acumulados foram Espanha, Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Rom&eacute;nia e Alemanha (6).</span><br></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:0px;text-align:center"> <a> <img src="https://www.saudemaispublica.com/uploads/9/8/9/4/98944468/c-auris-figura-1_orig.png" alt="Fotografia" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%">Figura 1.  Casos reportados de C. auris na UE/EEE, entre 2013 e 2023. Fonte: ECDC, Survey on the epidemiological situation, laboratory capacity and preparedness for Candidozyma (Candida) auris, 2024 (publicado a 11 set. 2025).  </div> </div></div>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">&Agrave; luz destes n&uacute;meros, o mapa de 2023 mostra duas realidades:&nbsp; Chipre, Fran&ccedil;a e Alemanha notificaram surtos pontuais; j&aacute; a Gr&eacute;cia, It&aacute;lia, Rom&eacute;nia e Espanha reportaram endemicidade regional ou nacional, o que dificulta a distin&ccedil;&atilde;o de surtos delimitados e evidencia a rapidez da dissemina&ccedil;&atilde;o hospitalar (Figura 2). Ainda assim, alguns pa&iacute;ses t&ecirc;m conseguido conter a transmiss&atilde;o e evitar a sua propaga&ccedil;&atilde;o sustentada.</span><br></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0;margin-right:0;text-align:center"> <a> <img src="https://www.saudemaispublica.com/uploads/9/8/9/4/98944468/c-auris-figura-2_orig.png" alt="Fotografia" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%"></div> </div></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:0px;text-align:center"> <a> <img src="https://www.saudemaispublica.com/uploads/9/8/9/4/98944468/c-auris-figura-3_orig.png" alt="Fotografia" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%">Figura 2.  Fase epidemiol&oacute;gica da dissemina&ccedil;&atilde;o de Candidozyma auris: A) pa&iacute;ses da UE/EEE, 2022 (n=30); B) pa&iacute;ses da UE/EEE e pa&iacute;ses de alargamento da UE, 2024 (n=36). Legenda: Est&aacute;dio 0: n&atilde;o foram detetados casos de infe&ccedil;&atilde;o ou coloniza&ccedil;&atilde;o; Est&aacute;dio 1:  apenas foram detetados casos importados; Est&aacute;dio 2: apenas foram detetados casos espor&aacute;dicos adquiridos localmente ou de origem desconhecida; Est&aacute;dio 3:  ocorreram surtos espor&aacute;dicos, sem dissemina&ccedil;&atilde;o entre institui&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de ou apenas com dissemina&ccedil;&atilde;o limitada; Est&aacute;dio 4: ocorreram m&uacute;ltiplos surtos com dissemina&ccedil;&atilde;o interinstitucional verificada ou plaus&iacute;vel; Est&aacute;dio 5:  C. auris &eacute; end&eacute;mica em partes do pa&iacute;s (dissemina&ccedil;&atilde;o regional).</div> </div></div>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Este retrato epidemiol&oacute;gico n&atilde;o se traduz, por&eacute;m, numa prepara&ccedil;&atilde;o homog&eacute;nea. Segundo o inqu&eacute;rito do ECDC realizado em junho de 2024, apenas 17 dos 36 pa&iacute;ses referiram dispor de um sistema de vigil&acirc;ncia para C. </span><span style="color:#000000; font-weight:400">auris</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> e s&oacute; 15 reportaram orienta&ccedil;&otilde;es nacionais espec&iacute;ficas de preven&ccedil;&atilde;o e controlo de infe&ccedil;&otilde;es (6).</span><br /></div>  <h2 class="wsite-content-title"><span style="color:#0f4761; font-weight:400">Conclus&atilde;o</span><br /></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Em s&iacute;ntese, a emerg&ecirc;ncia de </span><span style="color:#000000; font-weight:400">C</span><span style="color:#000000; font-weight:400">. </span><span style="color:#000000; font-weight:400">auris</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> exp&otilde;e fragilidades estruturais na vigil&acirc;ncia e no controlo de infe&ccedil;&atilde;o, com a Europa dividida entre surtos delimitados, provavelmente subnotificados, e &aacute;reas j&aacute; com endemicidade. H&aacute;, contudo, sinais encorajadores: onde se combina dete&ccedil;&atilde;o precoce, rastreio dirigido e medidas rigorosas de preven&ccedil;&atilde;o e controlo de infe&ccedil;&otilde;es, a transmiss&atilde;o tem sido contida.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400"><font size="4">Redigido por Francisco Apar&iacute;cio</font><br /><font size="4">Revisto por&nbsp; Cl&aacute;udia Roseira e Jo&atilde;o Pinheiro</font></span><br /><br /><span style="color:#0f4761; font-weight:400"><font size="5">Bibliografia</font></span><br /><font size="4"><span style="color:#000000; font-weight:400">1.</span><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;&nbsp; &nbsp;</span><span style="color:#000000; font-weight:400">Seagle EE, Williams SL, Chiller TM. Recent Trends in the Epidemiology of Fungal Infections. Infect Dis Clin North Am. junho de 2021;35(2):237&ndash;60. </span></font><br /><font size="4"><span style="color:#000000; font-weight:400">2.</span><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;&nbsp; &nbsp;</span><span style="color:#000000; font-weight:400">euronews [Internet]. 12:56:23 +02:00 [citado 26 de setembro de 2025]. Fungo resistente a medicamentos propaga-se nos hospitais europeus. Dispon&iacute;vel em: http://pt.euronews.com/saude/2025/09/11/fungo-resistente-a-desinfetantes-esta-a-propagar-se-rapidamente-nos-hospitais-europeus-ale<br />3.</span><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;&nbsp; &nbsp;</span><span style="color:#000000; font-weight:400">Lusa. P&Uacute;BLICO. 2025 [citado 26 de setembro de 2025]. Fungo resistente a medicamentos com propaga&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida nos hospitais europeus. Dispon&iacute;vel em: https://www.publico.pt/2025/09/11/ciencia/noticia/fungo-resistente-medicamentos-propagacao-rapida-hospitais-europeus-2146817<br />4.</span><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;&nbsp; &nbsp;</span><span style="color:#000000; font-weight:400">Ahmed F, El-Kholy IM, Abdou DAM, El-Mehalawy AA, Elkady NA. Epidemiological and microbiological characterization of Candidozyma auris (Candida auris) isolates from a tertiary hospital in Cairo, Egypt: an 18-month study. Sci Rep. 12 de setembro de 2025;15(1):32427.<br />5.</span><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;&nbsp; &nbsp;</span><span style="color:#000000; font-weight:400">Samora MAO. A emerg&ecirc;ncia de Candida auris como agente patog&eacute;nico multirresistente respons&aacute;vel por surtos de infe&ccedil;&atilde;o nosocomial [Internet] [masterThesis]. 2019 [citado 26 de setembro de 2025]. Dispon&iacute;vel em: https://repositorio.ulisboa.pt/handle/10451/43394</span><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">6.</span><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;&nbsp; &nbsp;</span></font><span style="color:#000000; font-weight:400"><font size="4">European Centre for Disease Prevention and Control. Survey on the epidemiological situation, laboratory capacity and preparedness for Candidozyma (Candida) auris, 2024. [Internet]. LU: Publications Office; 2025 [citado 24 de setembro de 2025]. Dispon&iacute;vel em: https://data.europa.eu/doi/10.2900/2025052</font></span><br /><br /><br /></div>]]></content:encoded></item><item><title><![CDATA[Surto de Ébola no RDC]]></title><link><![CDATA[https://www.saudemaispublica.com/noticias/surto-de-ebola-no-rdc]]></link><comments><![CDATA[https://www.saudemaispublica.com/noticias/surto-de-ebola-no-rdc#comments]]></comments><pubDate>Tue, 14 Oct 2025 23:00:00 GMT</pubDate><category><![CDATA[Uncategorized]]></category><guid isPermaLink="false">https://www.saudemaispublica.com/noticias/surto-de-ebola-no-rdc</guid><description><![CDATA[Vacina&ccedil;&atilde;o reativa j&aacute; no terreno; OMS e parceiros montam ponte a&eacute;rea e laborat&oacute;rio m&oacute;vel para travar transmiss&atilde;o da infe&ccedil;&atilde;o  O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo (RDC) declarou, a 4 de setembro de 2025, um surto de doen&ccedil;a por v&iacute;rus &Eacute;bola na zona de Bulape, prov&iacute;ncia do Kasai. At&eacute; 25 de setembro, foram confirmados 47 casos e 25 mortes, resultando numa let [...] ]]></description><content:encoded><![CDATA[<h2 class="wsite-content-title" style="text-align:left;"><strong><span style="color:#000000; font-weight:400"></span></strong><strong><span style="color:#000000; font-weight:400">Vacina&ccedil;&atilde;o reativa j&aacute; no terreno; OMS e parceiros montam ponte a&eacute;rea e laborat&oacute;rio m&oacute;vel para travar transmiss&atilde;o da infe&ccedil;&atilde;o</span></strong><br></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de da Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo (RDC) declarou, a 4 de setembro de 2025, um surto de doen&ccedil;a por v&iacute;rus &Eacute;bola na zona de Bulape, prov&iacute;ncia do Kasai. At&eacute; 25 de setembro, foram confirmados 47 casos e 25 mortes, resultando numa letalidade de 53,2%. Entre as v&iacute;timas mortais contam-se cinco profissionais de sa&uacute;de do hospital onde o primeiro caso foi tratado: tr&ecirc;s t&eacute;cnicos de laborat&oacute;rio e duas enfermeiras. Na &uacute;ltima semana, o surto iniciou uma tend&ecirc;ncia decrescente.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Paralelamente, as autoridades de sa&uacute;de congolesas acompanham 1180 contactos e refor&ccedil;am as medidas de preven&ccedil;&atilde;o e controlo, incluindo vigil&acirc;ncia, tratamento e vacina&ccedil;&atilde;o.</span></div>  <h2 class="wsite-content-title"><span style="color:#366091; font-weight:700">Caracter&iacute;sticas da Doen&ccedil;a e Vias de Transmiss&atilde;o</span><br></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">O &eacute;bola &eacute; uma doen&ccedil;a rara, mas frequentemente fatal em humanos. A transmiss&atilde;o humana do v&iacute;rus &Eacute;bola pode ocorrer atrav&eacute;s do contacto direto da pele e das mucosas ocular, nasal, oral e genital com o v&iacute;rus. A transmiss&atilde;o </span><span style="color:#000000; font-weight:700">pessoa-a-pessoa</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> geralmente verifica-se por contacto com sangue, ou outros fluidos biol&oacute;gicos de pessoas infetadas, mortas ou vivas, superf&iacute;cies, objetos ou roupas contaminadas com fluidos de doentes ou pessoas que morreram com &Eacute;bola ou contacto sexual n&atilde;o protegido com s&eacute;men de homens, que recuperaram da doen&ccedil;a. <br /><br />A transmiss&atilde;o de </span><span style="color:#000000; font-weight:700">animais para humanos</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> pode ocorrer atrav&eacute;s de contacto direto com sangue e outros fluidos corporais de animais portadores da doen&ccedil;a, ingest&atilde;o da carne de animais infetados ou a manipula&ccedil;&atilde;o de animal infetado. O risco de infe&ccedil;&atilde;o &eacute; maior entre profissionais de sa&uacute;de que tenham contacto pr&oacute;ximo com doentes com &Eacute;bola ou coabitantes de um doente infetado. </span><br></div>  <h2 class="wsite-content-title"><span style="color:#366091; font-weight:700">Origem do Surto e Resposta</span><br></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Segundo o relat&oacute;rio de situa&ccedil;&atilde;o da OMS &Aacute;frica, de 15 de setembro, an&aacute;lises gen&oacute;micas indicam 99,5% de similaridade com a estirpe Yambuku-Mayinga (1976), apontando, deste modo, para um <strong>novo </strong><strong><em>spillover </em></strong><strong>zoon&oacute;tico</strong>, sem liga&ccedil;&atilde;o direta aos surtos anteriores do Kasai (2007 e 2008/09).<br /><br />Os dados cl&iacute;nicos, laboratoriais e epidemiol&oacute;gicos apontam para que o caso &iacute;ndice corresponda a uma mulher gr&aacute;vida de 34 anos, falecida a 26 de agosto, e cujo funeral ter&aacute; decorrido sem qualquer precau&ccedil;&atilde;o relativa a medidas de seguran&ccedil;a e de controlo de transmiss&atilde;o da infe&ccedil;&atilde;o. De acordo com este relat&oacute;rio, os casos secund&aacute;rios ter&atilde;o sido verificados nos profissionais de sa&uacute;de do hospital onde esta fora atendida.&nbsp;</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">A resposta a este surto tem sido coordenada pelo INSP (Institut National de la Sant&eacute; Publique) / COUSP (Centre des Op&eacute;rations des Urgences de Sant&eacute; Publique) da RDC, com o apoio t&eacute;cnico da OMS e de outros parceiros internacionais. Uma Equipa de Gest&atilde;o de Incidente opera em Bulape com 64 peritos mobilizados (78% congoleses). Est&aacute; ativado um laborat&oacute;rio m&oacute;vel, na mesma regi&atilde;o, desde 3 de setembro, de modo a facilitar a r&aacute;pida an&aacute;lise das amostras testadas. Outras amostras tamb&eacute;m est&atilde;o a ser enviadas para o centro do Institut National de Recherche Biom&eacute;dicale (INRB), na capital do pa&iacute;s, Kinshasa, para controlo da qualidade do pr&oacute;prio m&eacute;todo de testagem. Tamb&eacute;m j&aacute; foi destacada uma equipa respons&aacute;vel pela sequencia&ccedil;&atilde;o gen&oacute;mica das amostras colhidas, no dia 24 de setembro.&nbsp;</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">No hospital geral de Bulape, funciona, neste momento, um Centro de Tratamento de &Eacute;bola (CTE) com 34 camas (tendo sido registada uma ocupa&ccedil;&atilde;o, no internamento, de 100%, a 21 de setembro). At&eacute; 14 de setembro, 25 doentes receberam o anticorpo monoclonal mAb114, existindo provis&atilde;o para mais 20 a 25 doses deste anticorpo.</span><br></div>  <h2 class="wsite-content-title"><span style="color:#366091; font-weight:700">Campanha de Vacina&ccedil;&atilde;o e Log&iacute;stica</span><br /></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Paralelamente, foi desenhada uma <strong>campanha de vacina&ccedil;&atilde;o</strong>, <strong>reativa ao surto</strong>, na prov&iacute;ncia de Kasai, com um acervo de cerca de 46.000 doses da vacina Ervebo, eficaz e segura contra o v&iacute;rus da &Eacute;bola. Esta campanha foi implementada a 13 de setembro com recurso a uma estrat&eacute;gia &ldquo;em anel&rdquo;, que consiste em imunizar os indiv&iacute;duos com maior risco de cont&aacute;gio, ap&oacute;s o contacto com doentes confirmados (at&eacute; 21 de setembro: 1740 indiv&iacute;duos j&aacute; vacinados), complementada por uma abordagem direcionada em todos os </span><span style="color:#000000; font-weight:400">hotspots</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> onde foram confirmados casos. Esta dupla abordagem revela-se altamente dependente da capacidade de transporte e armazenamento de mais lotes da referida vacina. </span></div>  <div><div class="wsite-image wsite-image-border-none " style="padding-top:10px;padding-bottom:10px;margin-left:0px;margin-right:0px;text-align:center"> <a> <img src="https://www.saudemaispublica.com/uploads/9/8/9/4/98944468/noticia-ebola-2025-set-figura1_orig.png" alt="Fotografia" style="width:auto;max-width:100%" /> </a> <div style="display:block;font-size:90%">Figura 1. Distribui&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica dos casos e morte por &Eacute;bola na provincia de Kasai at&eacute; 28 de setembro de 2025.     Fonte: WHO AFRO REGION - External Situation Report 02 - Ebola Virus Disease RDC</div> </div></div>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">Uma avalia&ccedil;&atilde;o inicial conduzida pela OMS &Aacute;frica detetou lacunas cr&iacute;ticas no cumprimento das medidas de preven&ccedil;&atilde;o e controlo de infe&ccedil;&otilde;es (como a falta do recurso a equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual, a m&aacute; gest&atilde;o dos res&iacute;duos hospitalares, incluindo os biol&oacute;gicos) e na presta&ccedil;&atilde;o direta de cuidados de sa&uacute;de ou na aplica&ccedil;&atilde;o das medidas de sa&uacute;de p&uacute;blica (a incorreta triagem dos pacientes atendidos nos servi&ccedil;os de urg&ecirc;ncia, a aplica&ccedil;&atilde;o </span><span style="color:#000000; font-weight:400">ad hoc</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> das defini&ccedil;&otilde;es de caso suspeito, prov&aacute;vel e confirmado de &Eacute;bola). Paralelamente, a comunica&ccedil;&atilde;o de risco e de envolvimento comunit&aacute;rio, tais como a realiza&ccedil;&atilde;o de funerais seguros e dignos, a desinfe&ccedil;&atilde;o dos domic&iacute;lios dos indiv&iacute;duos classificados como casos confirmados e a melhor manipula&ccedil;&atilde;o dos res&iacute;duos m&eacute;dicos no CTE de Bulape foram intensificadas, decorrentes da identifica&ccedil;&atilde;o de um </span><span style="color:#000000; font-weight:400">awareness</span><span style="color:#000000; font-weight:400"> reduzido e de uma elevada desconfian&ccedil;a dos profissionais para a import&acirc;ncia destas medidas.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">Para garantir o abastecimento das devidas contramedidas m&eacute;dicas, a OMS, o Programa Alimentar Mundial e a MONUSCO (</span><span style="color:#202122; font-weight:400">Mission de l'Organisation des Nations Unies pour la stabilisation en R&eacute;publique d&eacute;mocratique du Congo</span><span style="color:#202122; font-weight:400">)</span><span style="color:#202122; font-weight:400"> </span><span style="color:#000000; font-weight:400">montaram uma ponte a&eacute;rea tempor&aacute;ria, por duas semanas, entre Kananga, Bulape e Mweka. Mais de 14 toneladas de material m&eacute;dico chegaram &agrave; zona afetada e um novo CTE com maior capacidade est&aacute; em constru&ccedil;&atilde;o, na prov&iacute;ncia.</span></div>  <h2 class="wsite-content-title"><span style="color:#366091; font-weight:700">Avalia&ccedil;&atilde;o de Risco</span><br /></h2>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400">A OMS classifica presentemente o surto como uma amea&ccedil;a s&eacute;ria, dada a sustentada transmiss&atilde;o humano-humano, a elevada letalidade j&aacute; registada e o risco de extens&atilde;o geogr&aacute;fica do surto a outros centros urbanos, como Tshikapa e Kananga. No entanto, n&atilde;o se recomendam, neste momento, medidas de restri&ccedil;&atilde;o ao tr&aacute;fego internacional. As autoridades de sa&uacute;de nacionais e dos pa&iacute;ses vizinhos da RDC est&atilde;o a refor&ccedil;ar a vigil&acirc;ncia e a comunica&ccedil;&atilde;o do risco nos pontos de entrada/travessia e a coordenar, com a OIM, medidas de mitiga&ccedil;&atilde;o dos riscos transfronteiri&ccedil;os.</span><br /><br /><span style="color:#000000; font-weight:400">&nbsp;A OMS avalia o risco na RDC como elevado, sendo considerado moderado a n&iacute;vel da Regi&atilde;o Africana desta organiza&ccedil;&atilde;o e baixo a n&iacute;vel global. Segundo o ECDC, o risco atual para cidad&atilde;os do espa&ccedil;o da UE/EEE que vivem ou viajam para a prov&iacute;ncia do Kasai &eacute; considerado baixo e, para os cidad&atilde;os da UE/EEE que n&atilde;o se enquadram na categoriza&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via, o risco &eacute; considerado muito baixo, dada a muito reduzida probabilidade de introdu&ccedil;&atilde;o e transmiss&atilde;o secund&aacute;ria dentro deste espa&ccedil;o geogr&aacute;fico. Em Portugal, considerando a avalia&ccedil;&atilde;o de risco para a EU/EEE, h&aacute; que ter em conta a baixa probabilidade de importa&ccedil;&atilde;o e de transmiss&atilde;o secund&aacute;ria. Contudo, a proximidade do epicentro deste surto a Angola, pa&iacute;s com o qual os aeroportos portugueses t&ecirc;m um tr&aacute;fego direto e intenso, contribui para elevar ligeiramente o risco de importa&ccedil;&atilde;o do v&iacute;rus, por cadeias de transmiss&atilde;o transfronteiri&ccedil;as.</span><br /></div>  <div class="paragraph"><span style="color:#000000; font-weight:400"><font size="4">Escrito por Jo&atilde;o Pinheiro<br />Revisto por Francisco Apar&iacute;cio e Cl&aacute;udia Roseira</font></span><br /><br /></div>]]></content:encoded></item></channel></rss>